Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘telejornalismo’

Donos da midia, projeto do FNDC e Daniel Herz

Donos da mídia, projeto do FNDC e Daniel Herz

Do Boletim do FNDC

O FNDC disponibilizou um extraordinário banco de dados sobre os grupos de mídia do país. Concebido e liderado por Daniel Herz, Donos da Mídia desvenda os laços de redes e grupos de comunicação, demonstra como o controle sobre a mídia é exercido, o papel dos políticos, a ilegalidade de suas ações e da situação de empresas do setor.

O uso do superlativo “extraordinário” justifica-se facilmente: basta acessar www.donosdamidia.com.br para constatar que o site deverá se constituir em um marco na história das pesquisas sobre comunicação no Brasil. Além da sua diversidade e completude, Donos da Mídia é também um estudo inédito que permite avaliar as relações políticas, sociais e econômicas decorrentes da concentração da mídia nacional.

Produzido pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), entidade parceira do FNDC, Donos da Mídia, que está em fase de finalização, lista 7.275 veículos de comunicação, abrangendo rádios (inclusive as comunitárias), televisão aberta e por assinatura, revistas e jornais. Relaciona também as retransmissoras de televisão. No caso dos jornais, registra somente os de circulação diária ou semanal.

O papel controlador das redes

Donos da Mídia demonstra como tais veículos se organizam, destacando o papel estruturador das redes nacionais de televisão, especialmente as cinco maiores: Globo, Band, Record, SBT e Rede TV!. Há 33 redes de TV, às quais estão ligados 1.415 veículos, geralmente através de grupos afiliados. As redes de emissoras de rádio FM e OM somam 21. Esses dados podem ser visualizados aqui.

Também são identificados grupos nacionais e regionais. Os grupos nacionais foram definidos como o “conjunto de empresas, fundações ou órgãos públicos que controlam mais de um veículo, independentemente de seu suporte, em mais de dois estados”. Foram identificados 33 grupos, controladores de 267 veículos. Record (34 veículos), Band (32) e Globo (29) são os maiores.

Grupos regionais são aqueles que “controlam mais de uma entidade de mídia, independentemente de seu suporte”, atuando em até dois estados. Há 139 deles, controlando 655 veículos. RBS (55 veículos), OJC (24) e Sistema Mirante (22) são os maiores – todos são ligados a Globo. Esses dados podem ser vistos aqui. Os veículos quantificados podem ser localizados geograficamente na consulta à seção Lugares. Cada um dos 5.564 municípios brasileiros é referido.

A ilegalidade de grupos e políticos

Navegando em Donos da Mídia, é possível saber quantos veículos há em cada município, quais os grupos de mídia atuantes nas várias regiões, bem como dimensionar a cobertura das redes. Confira aqui. Para visualizar, por exemplo, o mapa da mídia em São Paulo, clique aqui. Os dados sobre as empresas incluem desde os seus endereços até seus concessionários, permissionários ou proprietários.

A localização dos veículos e a identificação de seus concessionários (e seus sócios) permite, por exemplo, constatar a situação ilegal da maioria dos grupos de mídia. Quase todos controlam um número de concessões superior ao permitido por lei. Os limites de concessões ou permissões para os serviços de radiodifusão podem ser vistos aqui. Outra ilegalidade flagrada pelo cruzamento de dados proporcionado pelo site é a participação direta de políticos no controle de emissoras de rádio e TV.

Como é sabido, a Constituição Federal proíbe (artigo 54) os deputados e senadores participar de organização definida como “pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público”. Essa determinação constitucional aplica-se, por extensão, aos deputados estaduais e prefeitos. Entretanto, Donos da Mídia, identificou 20 senadores, 48 deputados federais, 55 deputados estaduais e 147 prefeitos como sócios ou diretores de empresas de radiodifusão.

Quanto às suas origens partidárias, predominam os políticos filiados ao DEM (58, ou 21,4%), ao PMDB (48, ou 17,71%) e ao PSDB (43, ou 15,87%. Esses dados podem ser pesquisados aqui.

Um projeto de Daniel Herz

Apoiado em fontes sólidas e em uma extensa e detalhada pesquisa, Donos da Mídia representa o vértice de um projeto concebido e liderado pelo jornalista Daniel Herz, um dos fundadores do FNDC e seu principal mentor, falecido em maio de 2006. Ele também criou o Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), sediado em Porto Alegre.

Em sua fase decisiva, o projeto foi conduzido pelo jornalista James Görgen, que integrou o Epcom por vários anos. Leia a história do projeto aqui. Além da equipe relacionada no site, participou da pesquisa, na fase preliminar, a então estagiária de jornalismo Michele Fatturi.

O jornalista e professor universitário Celso Schröder, Coordenador-geral do FNDC, sugere que todas as entidades, universidades, ongs e sindicatos coloquem nos seus sites um link para Donos da Mídia. Observa que “a luta pela democracia na mídia só terá sucesso quando a sociedade se apropriar dela.” E acrescenta: “Donos da Mídia demonstra de modo enfático as distorções que o FNDC vem apontando e ratifica suas proposições. Poderá ser uma ferramenta poderosa a serviço dos que ambicionam democratizar a comunicação brasileira e do aperfeiçoamento das suas propostas de políticas públicas.”

Anúncios

Read Full Post »

Interessante texto sobre a cobertura da mídia para o caso do sequestro em Santo André (SP) revela que o caso poderia ter outro final. A exploração da desgraça alheia, no mais puro sensacionalismo transforma a mídia, principalmente a televisão num “desserviço” à população. É mais um fato que ratifica a necessidade de se pensar o papel da televisão na sociedade.

Leia o texto que foi reproduzido no Blog do GJOL:

Por Carlos Eduardo Entini

Com certeza Lindemberg nunca teve um Nintendo ou aparelho semelhante. Em compensação, ninguém nunca teve um vídeo-game como ele, no qual uma partida pôde durar 100 horas e com tamanha realidade. It’s show time!
Discute-se a ação da polícia, se deveria ter agido antes ou se um tiro do sniper teria resolvido a questão.
O que não se discute é o show montado pela imprensa. Como teria sido o desfecho se tivesse sido proibida a filmagem do local e da movimentação da polícia? Qual foi o peso que ela deu no resultado?
Muitos podem questionar que a proibição da transmissão ao vivo seria um atentado à liberdade de imprensa. Mas nem todo o direito é absoluto, mesmo os constitucionais.
Com todo o show montado, Lindemberg fez do telefone joysticke. A cada telefonema, no caso jogada, ele podia sentir a reação na televisão e rádio. Ele tinha todo o controle.
Agora sabe-se de uma jogada que talvez teria dado outro desfecho ao caso: ele concordou em soltar as reféns e se entregar caso o promotor divulgasse uma carta em que se comprometia a pedir uma pena leve e que ela fosse lida pelo jornalista da Record Reinaldo Gottino (leia Apresentador da Record poderia resolver o sequestro? O que diz Serra?)
Ou seja, a polícia, a única preparada para esses casos, torna-se o terceiro refém. Naquele momento um repórter surgia como o negociador. É um poder (o 4º?) assumindo outro que não lhe compete (o do 1º).
Os comandantes da operação permitiram, mas instâncias superiores não. Ainda não se sabe quem.
Ficou claro é que um crime – quantos desse não acontecem por aí a fora? – foi transformado em comoção nacional e deu ao criminoso a prerrogativa de controle e pior ainda, deixou a polícia coadjuvante entre o crime e o espetáculo. Ganharam os dois.
Cansado de jogar, restou a Lindemberg queimar as duas vidas que lhe restavam e GAME OVER!

Via Ong PI

Read Full Post »

Logos do MS Record e da TV Morena (Globo)

Logos do MS Record e da TV Morena (Globo)

Há alguns dias a TV Record Mato Grosso do Sul implementou o departamento de Jornalismo da emissora para atender uma exigência da matriz da Rede. Com objetivo claro de suplantar a líder em audiência no telejornalismo, a Rede Record obrigou a todas suas afiliadas a investir e organizar o telejornalismo local.

No caso da TV MS – Rede Record, que há muitos anos deixou o telejornalismo em quinto plano, por comodidade e sem qualquer interesse em investir no telejornalismo, a emissora de Campo Grande ofereceu e vendeu horários para produções independentes, além de abrir maior espaço para os pastores da IURD.

Com a determinação de Rede Record, a emissora de Mato Grosso do Sul contratou profissionais de diversas áreas, entre eles jornalistas, para organizar a programação de telejornalismo. Foram criados os telejornais MS Record 1, às 11h00, e MS Record 2, na edição da noite.

De qualquer forma, é sempre positivo e muito importante que o mercado do jornalismo em Campo Grande tenha mais opções de trabalho. A iniciativa da TV MS é importante, pois proporciona, não somente uma nova opção de telejornalismo, para sair do domínio da TV Morena (Globo), mas também abre oportunidades de trabalho para os jornalistas profissionais.

De outro lado, o que se vê na TV a cada dia é “mais do mesmo”. Os telejornais da TV Record MS simplesmente copiaram a fórmula e a estrutura da TV Morena, ou seja, da Globo. Ou essa fórmula é boa demais ou é pura falta de criatividade, medo de inovação e falta de integração com as escolas de jornalismo. Até o “Balcão de Empregos” foi copiado pelo telejornal da Record MS!

O público merece um telejornalismo inovador, diferente, é triste ver que os telejornais das duas emissoras (Record MS e Morena Globo) são idênticos. Não são semelhantes. São idênticos. Nesse panorama e perspectiva não haverá, por certo, crescimento e desenvolvimento do telejornalismo em Mato Grosso do Sul.

Read Full Post »