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O presidente da Federação Nacional das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação, SOCICOM, professor Dr. José Marques de Melo divulgou, nesta semana, nota em que assinala a necessidade da reclassificação das área do conhecimento e elevar a Comunicação como Grande Área. A atual Tabela do CNPq das área do conhecimento atribui a comunicação como Área na Grande Área Ciências Sociais Aplicadas. O jornalismo aparece como subárea.

A SOCICOM realizou, no último dia 16 de março, o Seminário de Integração Institucional em que os participantes salientaram a necessidade de promover a Comunicação para Grande Área. Segundo o texto do professor Dr. José Marques de Melo, “existem hoje no país quase duas dezenas de sociedades científicas que agrupam pesquisadores e professores na área de comunicação”. Destacou ainda que “a criação da  nossa federação nacional pode desempenhar papel estratégico no diálogo com os gestores de C&T. Pode também ajudar a identificar as demandas de interesse comum, nelas concentrando atenção para convencer  os consultores científicos a dar-lhes prioridade”. De outro lado, Marque de Melo enfatizou que “ano a ano, a pesquisa em comunicação cresce nas universidades brasileiras, mas as cotas de bolsas para iniciação científica, mestrado e doutorado permanecem estáveis, quase não abrindo oportunidades para a nova geração de pesquisadores. Da mesma forma, as verbas para pesquisa de campo ou de laboratório continuam a flutuar,  nos mesmos patamares, por falta de projetos temáticos relevantes”.

Atualmente fazem parte da SOCICOM a COMPÓS, FNPJ, ULEPICC, SOCINE, SBPJor, ABRAPCORP, FOLKCOM, Rede ALCAR, ABCiber, ABJC e FORCINE.

Confira a íntegra da mensagem do professor Dr. José Marques de Melo:

A comunicação como grande área do conhecimento
José Marques de Melo
Professor Emérito da Universidade de São Paulo e presidente da
Federação Brasileira das Sociedades Científicas e Associações Acadêmicas de Comunicação – SOCICOM

A realização do “Seminário de Integração Institucional”, promovido pela SOCICOM no dia 16 de março de 2009, no auditório da Reitoria da UNESP, em São Paulo,  sinalizou o fortalecimento do campo das ciências da comunicação no Brasil. Trata-se, aliás, da meta principal da federação nacional,  cuja fundação foi decidida na cidade de Santos (SP) em 2007 e ratificada em Natal (RN) em 2008, com a finalidade de reunir o conjunto das sociedades científicas e associações acadêmicas Do Brasil.

Existem hoje no país quase duas dezenas de sociedades científicas que agrupam pesquisadores e professores na área de comunicação. Doze entidades aderiram à criação da SOCICOM e outras começam a se incorporar, numa demonstração de que  a nossa comunidade acadêmica começa a dar passo decisivo para superar a fragmentação que a vem debilitando politicamente.

Até agora, na luta silenciosa pelas fatias do orçamento estatal destinado a ciência e tecnologia, cada entidade vem defendendo seus próprios interesses. Entretanto, as lideranças dessas associações, ao contentarem-se com a alocação de migalhas, deixam de perceber que a divisão da nossa área só favorece as áreas hegemônicas. Bem estruturadas e muito articuladas, elas tem sido  capazes de apresentar projetos holísticos, com argumentos relevantes que influem na decisão das agências de fomento.

Ano a ano, a pesquisa em comunicação cresce nas universidades brasileiras. Mas as cotas de bolsas para iniciação científica, mestrado e doutorado permanecem estáveis, quase não abrindo oportunidades para a nova geração de pesquisadores. Da mesma forma, as verbas para pesquisa de campo ou de laboratório continuam a flutuar,  nos mesmos patamares, por falta de projetos temáticos relevantes.

A criação da  nossa federação nacional pode desempenhar papel estratégico no diálogo com os gestores de C&T. Pode também ajudar a identificar as demandas de interesse comum, nelas concentrando atenção para convencer  os consultores científicos a dar-lhes prioridade.

O seminário de integração institucional, reunido na cidade de São Paulo, com a participação dos dirigentes das associações fundadoras e de outras em processo de filiação, avançou na elaboração de uma agenda consensual, que será posteriormente levada à consideração dos organismos financiadores e das autoridades federais.

Contudo, a meta mais ousada da SOCICOM está sendo alavancada, no próximo mês de abril, na Ilha da Madeira, Portugal. Ali se reunirão lideranças nacionais da Espanha, Portugal, Brasil, México, Argentina, Bolívia, Venezuela e de outros países hispano-americanos onde as ciências da comunicação conquistaram legitimidade nacional.

Cogita-se potencializar a presença ibero-americana na comunidade internacional da área, através do fortalecimento de uma rede mega-regional, destinada a cimentar os avanços investigativos em nosso espaço geopolítico, preservando e robustecendo nossa identidade cultural. Desta maneira, poderemos neutralizar a tendência vigente que mantém nossos países na órbita dos importadores de know how, quando muitas vezes dispomos de saber mestiço mais apropriado para nossas próprias realidades.

Superar o “complexo do colonizado” que nos atrela à legião dos deslumbrados com os modismos do “primeiro mundo” constitui o maior desafio a ser enfrentado.

O Brasil possui, indiscutivelmente, uma grande comunidade acadêmica no âmbito das ciências da comunicação, mas comporta-se como satélite do pensamento anglófono ou francófono, muitas vezes reciclado nos entrepostos regionais que ainda nos causam fascinação.

É bem verdade que não constituímos um corpo cognitivo homogêneo.  Por isso, cabe às nossas lideranças estabelecer pontes que comuniquem o saber acumulado em cada disciplina – jornalismo, cinema, publicidade, relações públicas, semiótica, cibercultura, folkcomunicação, midiologia, comunicologia etc. – sem deixar de nutrir-se nos conteúdos gerados pelas humanidades e sem negligenciar ações estribadas nas tecnologias de ponta.

Este é o chamamento que a diretoria da SOCICOM fez aos participantes do referido seminário, consciente de que muito temos a fazer para ultrapassar o paroquialismo, logrando a unidade necessária para legitimar a comunicação como grande área do conhecimento.

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Fundadores da SOCICOM, em Natal, setembro de 2008

Fundadores da SOCICOM, em Natal, setembro de 2008

Por José Marques de Melo

Instalado oficialmente no dia 1 de dezembro de 2008, na cidade de São Paulo, o Conselho Deliberativo da Federação Brasileira de Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação – SOCICOM – aprovou o Plano de Metas da entidade para o biênio 2008/2010, priorizando ações que focalizam a presença da academia no espaço público, mas destacando a difusão da produção científica brasileira no âmbito mundial das ciências da comunicação.

A SOCICOM foi fundada em Natal (RN), no dia 2 de setembro passado, sendo constituída por 12 associações nacionais do campo comunicacional,  incluindo as entidades representativas das áreas disciplinares (Jornalismo, Relações Públicas e Cinema), bem como os espaços interdisciplinares (história da mídia, cibercultura, folkcomunicação, economia política da comunicação).

A liderança da federação foi confiada aos representantes das duas maiores e mais antigas associações da área  – o presidente José Marques de Melo (INTERCOM) e a vice-presidente, Ana Silvia Médola (COMPÓS). Os demais cargos da diretoria estão ocupados por representantes de entidades mais recentes – a diretora de relações internacionais – Margarida Kunsch é presidente da ABRAPCORP; o diretor de relações internacionais – Elias Gonçalves Machado – é ex-presidente da SBPJOR e a diretora Anita Simmis é presidente da ULEPICC – Brasil.

No ato da sua instalação, o Conselho Deliberativo da SOCICOM elegeu o fundador da ULEPICC, César Bolaño, como seu presidente para o biênio 2008/2010, que por sua vez convidou Betânia Maciel, presidente da FOLKCOM, para ocupar a função de Secretária da primeira reunião ordinária.

Espaço público

Dentre as ações substantivas da nova federação, duas metas foram destacadas no plano nacional: 1) diálogo com representantes do Estado –  MCT, MECCNPq, CAPES, Ministério das Comunicações, ANATEL – e da Sociedade Civil – Academia Brasileira de Ciências, SBPC, ANJ, ABERT, Fórum Nacional para Democratização da Comunicação, etc.;  2)  Acompanhamento de assuntos relacionados com a área de Comunicação, ao longo dos próximos dois anos, através das audiências públicas na Câmara, no Senado e nos Ministérios. No âmbito internacional, a focalização orienta-se para atingir três alvos: 1) Interlocução mais intensa com a comunidade internacional da área, 2) Fortalecimento da Comunidade Ibero-Americana de Ciências da Comunicação,  3) Disseminação do Pensamento Comunicacional Brasileiro no exterior. O primeiro passo para alcançar objetivos dessa natureza é a realização, no Brasil, em 2010, do I Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana – ORBIAMERICOM.

Associações constituintes

A fundação da SOCICOM teve a participação de doze associações nacionais, devidamente instituídas:  Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom; Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – Compós; Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação Organizacional e Relações Públicas –  Abrapcorp; do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo – FNPJ ; Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJor ; União Latina de Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura – Seção Brasileira – Ulepicc-Brasil; Associação Brasileira de Ciberecultura – ABCiber;  Associação Brasileira de Pesquisa em História da Mídia – Alcar; Associação Brasileira de Pesquisa em Folkcomunicação –  Folkcom;  Associação Brasileira de Jornalismo Científico – ABJC; Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – Socine; e Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual – Forcine.

A federação edita periodicamente o Jornal da SOCICOM e tem sede na cidade de São Paulo, Av. Brigadeiro Luis Antonio, 2050 – conj. 36/38, no bairro da Bela Vista, região central da Cidade de São Paulo (junto à Estação Brigadeiro do Metrô e próximo à Avenida Paulista). Email: socicom@intercom.org.br

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Assembléia de criação da SOCICOM em Natal (RN)

Assembléia de criação da SOCICOM em Natal (RN)

Representantes de 10 entidades da área de comunicação reunidos em Natal (RN) criaram, nesta terça-feira, 2 de setembro, a Federação das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação – SOCICOM. A assembléia teve a participação da Intercom, representada pelo seu presidente professor Dr. José Marques de Melo; do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), represendada pelo Diretor de Relações Institucionais, professor Dr. Gerson Luiz Martins; Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), representada pelo professor Dr. Elias Machado; Ulepic, representada pelo professor Cesar Bolaño; Compós, representada pela vice-presidente, professor Dra. Ana Silvia Médola; Abracorp, representada pela sua presidente, professora Dra. Margarida Kunsch; ABCiber, representada pelo presidente, Eugenio Trivinho; Rede Alcar, representada pela professora Dra. Marialva Barbosa; Folkcom, representada pela presidente, professora Dra. Betania Maciel e Associação Brasileira de Jornalismo Científico, representada pelo professor Dr. Adolpho Queiroz.

A assembléia aprovou o Estatuto de fundação da entidade e elegeu a primeira diretoria, composta pelos professores José Marques de Melo, presidente; Ana Sílvia Médola, vice-presidente; Margarida Kunsch, diretora de relações internacionais; Elias Machado, diretor de relações nacionais e Anita Simis, diretora administrativa.

A assembléia ainda definiu que o Conselho Deliberativo da Socicom será composto por um representante de cada entidade filiada, com direito a um suplente. As entidades têm até o dia 30 de setembro para indicar os representantes.

A nova diretoria da SOCICOM terá o prazo de 90 dias para a regularização jurídica com registro da Ata de fundação e composição da primeira diretoria.

O Conselho Deliberativo da SOCICOM terá também a participação do Forcine e Socine, entidades que participaram das primeiras reuniões para constituição da Federação e que não puderam enviar representantes para a assembléia em Natal.

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